Vingadores: Era de Ultron - Review
Como boa produção da Disney, “Vingadores: Era de Ultron” é um conto de fadas. A história do Pinóquio que se rebelou contra Gepeto e decidiu destruir toda a humanidade. Assim pode ser resumido o filme que em meia semana arrecadou mais de 200 milhões de dólares sem nem ao menos ter estreado nos Estados Unidos.
Para quem ainda não assistiu: é bom? Muito. Cinema pipoca da melhor qualidade. Supera o primeiro? Sim. É o melhor da Marvel? Talvez. É difícil comparar um filme solo com uma reunião de astros, que precisam de atenção dividida. Mas Joss Whedon soube não apenas destacar cada um dos heróis, como também, os homens por trás das fantasias.
Humanização é o grande trunfo do filme, e atende pelo nome de Clint Barton (Jeremy Renner). O Gavião Arqueiro é o elo entre o espectador e o supergrupo. Apesar do treinamento na SHIELD, ele não tem poderes e nem um traje tecnológico. Mesmo assim, sabe da importância para a equipe e não recusa o trabalho, por mais sujo que seja. Agradou tanto que merecia uma produção própria. Que tal uma série pelo Netflix?
Outro acerto é mostrar a evolução dos personagens. Tudo que eles fizeram nos filmes anteriores os levaram até ali. Da armadura de lata, Tony é dono de um exercito de homens de ferro. Porém, o ego ocasiona os eventos com Ultron. No meio de um super soldado e um deus, Stark sabe que se não fosse por ele, não teria vitória na batalha de Nova Iorque do primeiro “Vingadores”.
O super soldado e o deus estão apagados. Capitão lidera, entra em conflito com o Homem de Ferro, mas não passa disso. Já Thor é o responsável pela descoberta que deve desencadear a maior batalha dos Vingadores, mas chama mais atenção pelas piadinhas com o martelo.
Quem ganha espaço – e que fez muito bem ao filme – é o gigante esmeralda. Por mais que não entrasse em batalha, Hulk já faria os fãs felizes pelo carisma. Mas ele luta. E muito – Tony Stark que diga. Porém, a principal atenção dele no roteiro é a relação entre Bruce Banner e a Viúva Negra. É um casal, que por incrível que pareça, faz sentido, para a alegria da audiência shipper.
Os novos personagens também têm bons momentos.
Os gêmeos Maximoff possuem motivações compreensíveis para lutarem contra os Vingadores – e ainda mais para mudarem de lado. Se falta a Pietro (Aaron Taylor-Johnson), a plasticidade do Mercúrio de “X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido”, sobra personalidade. Da amargura de um possível vilão, se torna um herói no melhor sentido da palavra. Já Wanda (Elizabeth Olsen) mostra-se a mais poderosa do grupo, mas a impressão que fica, é que ela deve ser melhor utilizada nos próximos filmes.
Por fim, mas não menos importante, Ultron e Visão. Ligados desde o início, os dois surgem do sonho (distorcido), de Tony Stark, de um mundo melhor. O andróide interpretado por Paul Bettany é espetacular. Poderosíssimo e dono dos melhores diálogos durante as quase duas horas e meia de filme. O mais incrível é que Whedon soube utilizar o visual clássico do personagem, colorido, sem ficar ridículo. Pelo contrário, sobra estilo ao Visão.
Já o vilão que dá nome ao filme me decepcionou. Ultron cai no mesmo problema de Loki. Falta foco ao personagem, que não tem suas motivações claras em nenhum momento. Além disso, a expectativa era de um robô quase invencível. Não era. Ele não aparenta ser uma ameaça aos protagonistas, como era, por exemplo, Ronan, em “Guardiões da Galáxia”.
Não vejo “Era de Ultron” como um filme que tenta ser grandioso apenas para superar o antecessor. Ele é melhor que o primeiro “Vingadores” em todos os sentidos. O roteiro é mais conciso. Os personagens são bem trabalhados. E é bem humorado, mas sem aquele excesso de piadinhas desnecessárias.
A falha dele está justamente nas expectativas que gerou. Todas as grandes cenas estão nos trailers. Então nada surpreende. Inclusive os motivos para tais acontecimentos pareciam que seriam mais fortes nas prévias. Mas daí, a culpa talvez seja nossa, e não da Marvel.
Com o fim de mais uma reunião de heróis, está tudo pronto para os dois eventos mais importantes do universo da editora/produtora: a Guerra Civil e a Guerra Infinita. E antes disso, ainda teremos o fim da fase 2 com “Homem-Formiga”, em julho. Ou seja, Marvel não faltará!







0 comentários: