O mercado de animes em home vídeo no Brasil – parte 7

16:14 Unknown 0 Comments



Quem acompanhou as demais postagens deste especial deve ter reparado que anime no Brasil é quase sinônimo de distribuidoras independentes. É só ver os exemplos: Playarte, Focus, Flashstar, Imagem, além de outras ainda menores. Mas onde estão as gigantes nesta história?

A major que mais apostou em animes foi a Sony, mas de uma forma bastante tímida. Ela trouxe bons títulos de filmes ao país (a maioria já raros) e algumas séries que não tiveram muito destaque, como a última versão de “Astro Boy”, que tinha as crianças como público-alvo. Pelo menos os 50 episódios foram lançados.

As versões em anime de “X-Men” e “Wolverine” também foram concluídas. Mesma sorte não teve “Cyborg 009”. Dos 51 episódios, apenas oito chegaram ao home vídeo brasileiro.

Os longas ganharam mais destaque. Foram lançados “Steamboy”, “Memories” e “Metrópolis”, de Katsuhiro Otomo (o gênio por trás de “Akira”); “Paprika” e “Tokyo Godfathers”, do saudoso Satoshi Kon; além de “The Sky Crawlers”, “Onigamiden - A Lenda Do Dragão Milenar”, “First Squad: A Hora da Verdade”, “Tekkon Kinkreet”, “Final Fantasy VII – Advent Children” (este lançado também em blu-ray) e “Cowboy Bebop: O Filme” (bem que poderia sair a série também!).


Outra série que chegou ao país, e mesmo sem muito destaque foi concluída, é “Ragnarok”, lançada na década passada pela Paramount. O anime baseado no jogo teve os 26 episódios disponibilizados no Brasil.

Já a Warner, mesmo sem muito alarde, conseguiu boas vendas com "Bakugan" e a sequência "Bakugan - Nova Vestróia". Porém, o foco foi o público mais jovem, que assiste animes pelo Cartoon, já que não se deram nem o trabalho de colocar o áudio original em japonês, ficando apenas a (criticada) dublagem em português e em inglês.

Antes disso, a história da distribuidora podia se resumir em dois fenômenos: “Pokémon” e “Yu-Gi-Oh”. A empresa lançou os três primeiros filmes de Ash e sua turma lááá no início dos anos 2000 (e eu fui no cinema em todos). As edições em home vídeo eram até legais, com cartas do TCG da série. O primeiro longa, inclusive, é um dos títulos nacionais mais cobiçados pelos colecionadores, dada a sua raridade (estou aceitando de presente, aliás!).  

A Fox, até pouco tempo, tinha lançado apenas o filme de “Digimon” (que é uma compilação com três histórias lançadas no Japão), mas voltou à cena com mais um longa. “Dragon Ball Z: O Renascimento de F” ganhou espaço nos cinemas e deve chegar às lojas no fim de outubro.

Em resumo, as majors não dão a mínima para o setor. Sem coragem ou visão para apostar no lançamento de uma série de destaque, ficam apenas com filmes, já que a chance de prejuízo neste caso é bem menor. No caso da Sony, poderia dizer que não fizeram mais do que a obrigação, já que possuíam os direitos sobre as produções, caso de “Astro Boy”, mas isso não ocorreu com “Samurai X”, já que foi a responsável pelo lançamento na TV.

Pegando a falta de iniciativa das gigantes e somamos ao despreparo das independentes, temos como resultado o nosso mercado: fraco e previsível. Podem me chamar de pessimista, mas perdemos a chance de ter uma boa oferta de animes em home vídeo há muito tempo. Agora, o que vier é lucro.


Amanhã, a última parte!

Confira também as outras partes deste especial:

0 comentários: