Mostrando postagens com marcador Demolidor. Mostrar todas as postagens

Video: Os melhores de 2015



Mais um ano ficou para trás, mas deixou inúmeros filmes e séries fantásticos. Chamei a excelentíssima Angelica Brunatto para discutir o que de melhor acompanhamos em 2015. 

Dê o play e participe, listando os seus favoritos também!

Algumas linhas sobre Jessica Jones




Ah esse Netflix... Nos últimos tempos, nenhuma outra empresa de entretenimento (tirando a Disney com suas franquias) consegue mobilizar tanto as pessoas quanto eles. O termômetro está nas redes sociais. A nova produção original do serviço de streaming, "Jessica Jones", a segunda da parceria com a Marvel, estreou na sexta-feira passada. No dia seguinte, muita gente já havia assistido todos os 13 episódios (que correspondem a 11h16min).

Em um ritmo mais lento, aceitei o desafio, também fiz uma maratona, e compartilho as minhas impressões nestas mal traçadas linhas:

Começando do princípio

Não é uma série de heróis. Se não fosse o logo da Marvel, os créditos e uma ou outra citação sobre os Vingadores, provavelmente ninguém se daria conta que ela faz parte do mesmo universo do cara verde e do capitão com asas no capacete. A produção pouco explora os poderes de Jessica, aliás, praticamente ignora a maneira como ela os adquiriu.

“Jessica Jones” ganha ao criar identificação com o público, afinal, ela é gente como a gente. Mora em um muquifo, mal consegue pagar as contas (já que trabalha mais com os próprios casos do que para os clientes), compra o whisky mais barato, tem um notebook velho (um Acer ainda por cima!), deixa o celular carregando a noite toda. Pode parecer pouco, mas são detalhes desprezados pela maioria das séries/filmes, e que a aproximam.

Diferente de tantos protagonistas dos quadrinhos, Jessica não é uma heroína relutante. Apesar do eterno mal humor, ela não esconde o desejo de ajudar as pessoas. Tanto que cogitou a ideia de usar um colant branco e usar o codinome Safira (em uma ótima tiração de sarro com o material original).

A Jessica Jones de Krysten Ritter tem um quê de Keanu Reeves. Ela parece ter apenas uma expressão durante todos os minutos em que está em cena. E mesmo assim, é carismática. Mas tenho minhas dúvidas se ela foi a melhor escolha para o papel. Fisicamente falando, a australiana Jessica De Gouw (a Huntress, de “Arrow”), uma das cotadas para dar vida à personagem, parece melhor. Porém, apesar de tudo, o trabalho de Ritter não compromete.

Qual das duas parece mais com a heroína dos quadrinhos?

No outro lado da moeda, está o nêmesis da heroína. A cada episódio, Jessica deixa de ser a protagonista da própria série, que passa a ser dominada (ou seria controlada?), por Kilgrave. Méritos de David Tennant, aquele cara simpático que foi um dos protagonistas de “Doctor Who”, que desta vez, cria um vilão no pior sentido da palavra.


Cruel, cínico, um completo sociopata. Aquele cara que é impossível criar afeição. Um legítimo, desculpe a expressão, filho da puta (aliás, você do Twitter, que está colocando foto dele e criando fandom, por favor, pare!). Mas, que também é desconstruído ao longo dos 13 episódios. No início, era mostrado quase como uma entidade superior, uma força da natureza, e no final, poderia até gerar pena, de tão maluco que é. Ah, e felizmente, diferente dos quadrinhos, ele não é roxo (ou púrpura, como queiram).

Dos personagens coadjuvantes, apenas Trish Walker (a ex-pantera Rachael Taylor) e Luke Cage (Mike Colter) merecem destaque. A primeira convence como a melhor amiga (e única pessoa que tem o amor verdadeiro de Jessica), mas quando resolve ajudar na missão, dá uma forçada na barra. Já o dono da próxima série da parceria Netflix/Marvel cumpre bem seu papel de namorado da protagonista e já garante alguns fãs para quando estrear seu próprio show.


O problema da série está, primeiro, nas inúmeras voltas que o roteiro dá. Ao contrário de “Demolidor”, que soube utilizar seus 13 episódios para desenvolver os personagens, em “Jessica Jones”, a protagonista poderia ter acabado com os problemas na metade do tempo. Mas para preencher a meta de capítulos, apelaram para algumas soluções que servem apenas para atrasar a história. Pelo menos, o final vale a pena, já que apresenta uma boa batalha e deixa ganchos interessantes.

Outro erro, para mim, é o excesso de atenção dado a alguns personagens que não acrescentam nada à trama. Ou você vai me dizer, em sã consciência, que os gêmeos Robyn e Ruben, ou até mesmo Malcolm, que participa de 12 episódios (!) servem para alguma coisa, a não ser irritar. Nem mesmo  Carrie –Anne Moss, a eterna Trinity, é explorada como deveria.

É uma série irregular, mas importante dentro deste universo, já que apresenta uma personagem com características que ainda não haviam sido mostradas nas versões em live-action da Marvel. Além disso, após o êxito de “Demolidor”, serve para quebrar ainda mais aquela estrutura já cansada dos filmes da editora, garantindo fãs que podem nem se interessar pelo gênero, já que, como comentei acima, se não fosse a logo e uma ou outra citação, ninguém diria que é uma série de heróis. E que venha “Luke Cage” para somar ainda mais!

OBS: Quem quiser conhecer um pouco mais da personagem, é só conferir este artigo dos parceiros do Nercida!


Demolidor e os números do Netflix

Gráfico de desempenho das séries, divulgado pela Variety

Já faz um tempo que o Netflix é quase uma unanimidade. Com conteúdo crescente de filmes e séries, o serviço de vídeo por streaming conquistou aproximadamente 65 milhões de assinantes. Apenas no Brasil são 2,2 milhões. E muito destes números devem às produções originais. 

Começou em 2012, com “Lilyhammer”, produção norueguesa, mas só foi ganhar o mundo no ano seguinte, com a estreia de “House of Cards”. Porém, engana-se quem pensa que foi apenas a presença de astros como Kevin Spacey e Robin Wright e a assinatura de David Fincher que transformaram a série em um sucesso. O Netflix inverteu a maneira de fazer televisão ao disponibilizar todos os episódios de uma só vez, incentivando o hábito das maratonas. 

Kevin Spacey, em "House of Cards"

Na sequência vieram “Hemlock Grove”, “Orange is The New Black”, “BoJack Horseman”, “Marco Polo”... Em 2015 já tivemos três lançamentos: “Unbreakable Kimmy Schmidt”, “Bloodline” e o fenômeno “Demolidor”. 

A série da Marvel caiu na boca do povo. Do dia para a noite, todos haviam assistido os 13 episódios da série do advogado cego que combate o crime, o que levou a revista americana Variety a divulgar os números da audiência do serviço nos Estados Unidos. E confirmar o sucesso de “Demolidor”. 

"Demolidor"

Segundo o levantamento, em apenas 11 dias, a produção foi assistida por cerca de 4,4 milhões de pessoas (10,7% dos assinantes americanos), o que tornou “Demolidor” a série original mais assistida do Netflix. E não poderia ser diferente. Toda a estratégia de lançamento foi bem sucedida. Para inaugurar as produções feitas em conjunto com a Marvel, o Netflix apostou em um personagem bastante conhecido (seja por causa dos quadrinhos ou pelo esquecível filme com Ben Affleck), o que deve alavancar as outras séries que virão (A.K.A. Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro). Também ajudou o fato de que em menos de 30 dias, estrearia “Vingadores: Era de Ultron” no cinema, e nesta altura do campeonato, qualquer coisa com o selo da editora teria mais chances de fazer sucesso. 

O segundo lugar surpreende. “Unbreakable Kimmy Schmidt” superou “House of Cards”: 2,98 milhões contra 2,65 milhões de assinantes. O número chama a atenção, pois a série criada por Tina Fey teve pouca divulgação, se comparada à veterana, que parece perder força dentro do próprio país. Porém, contando as três temporadas, a série de Kevin Spacey continua sendo a número 1 dentro do Netflix. Pelo menos por enquanto. 

"Unbreakable Kimmy Schmidt"

Já “Bloodline” decepcionou. A série, que teve a pior arrancada entre todas as avaliadas, fidelizou seu público, mas não soube cativar o restante do público. Apenas 980 mil assinantes norte-americanos (2,4%) acompanharam a história da família Rayburn. Como eu já havia comentado em outro post, acredito que o Netflix falhou na estratégia de lançamento ao colocá-la pouco depois da terceira temporada de “House of Cards” e antes da estreia de “Demolidor”.

"Bloodline"

Por último, “Marco Polo” foi o mais próximo de um fracasso. Antes da estreia, o Netflix vendeu a série como o “Game of Thrones” deles. Mas não deu certo. A produção dividiu a crítica e não atraiu o público. Mesmo com a grande divulgação. No fim, teve números praticamente idênticos ao de “Bloodline”, que pelo menos conseguiu ter uma média estável.

"Marco Polo"

No próximo mês, o Netflix terá duas novas produções. A ficção científica “Sense8”, dos Wachowski, no dia 5 de junho, e a terceira temporada de “Orange is The New Black”, no dia 12. Será que alguma vai conseguir ameaçar o reinado do Demolidor?